MANUEL DA ZIRA :
Fora de Mérignac ou de Bordéus, este é um nome que não dirá grande coisa a muita gente. Autor, compositor, M.C e DJ, este habitante de Mérignac, já tem alguns anos de diversas aplicações no mundo Reggae… Algumas explicações!

Flash back : 1985, Calma e “seca” fazem parte do programa em Mérignac, nos bairros da cidade os novatos, depois de se terem especializado no roubo de motos e rádios de carros, seguem o exemplo dos mais velhos e começam a dedicar-se ao roubo de mansões e casas dos arredores, preparando a longa e fatal descida até ao inferno...

Após uma breve escuta ao rock (Lep Zep, AC/DC, Status Quo, Queen) e à música francesa (Renaud, Cabrel, F.Lalanne) o jovem Manu presta atenção ao que se ouve nas grandes cidades; de facto e em meados dos anos 80, já não é o Rock que simboliza a música rebelde, mas sim o ritmo binário com tempos contrários vindos da Jamaica, o Reggae. Bob Marley que tinha falecido há menos de 5 anos, a maioria acreditava que a sua musica iria ter o mesmo fim, mas resiste infiltrando-se nos bairros problemáticos um pouco por toda a França.

É desta forma que nos auto-radios, nos walkman’s e nas aparelhagens, tocam os álbuns de Street Pulse (Earth Crisis), Marley (Uprising, Confrontation, Babylon on Bus) ou ainda, Pablo Moses (In the Future).

Devorava os livros de Francis Dordor, Bruno Blum, ou Hélène Lee, habituado às bibliotecas, na procura constante de antigos títulos de “Best” ou “Rock and Folk”, Manu não se cansa de recolher informações sobre a cultura Jamaicana, e é sobre esta música que ele também descobre por intermediário da emissão de Feeling Black Machine, na estação Graffiti FM 101.7, apresentada por Edgar “Júnior” Gomez (actual presidente da Black Box 103.7 Bordeaux) e a figura local Docteur Jocka. São estes últimos que lhe dão a primeira oportunidade, ao confiar, assim como a Nico, o seu alter-ego merignacais, o horário de terça-feira à noite das 22h00 à meia-noite, livre e disponível para uma emissão temática de Reggae. Manu no microfone, Nico na realização técnica… A emissão chamava-se “Cool Runings”, a aventura começou …

É desta forma que também datam os primeiros encontros com os jamaicanos de passagem por Bordeaux, e assim mês após mês, a lista começa a crescer como nomes menos prestigiosos tem: Pablo Moses, Culture, Burning Spear, Gladiators, Mutabaruka, Toots, e muitos mais, passaram todos pelo microfone itinerante de “Cool Running”. Sabiamente reflectida, a emissão recebe os melhores editores de Reggae (RAS, ARINA, GREENSLEVES) as últimas novidades, assim nas secretárias de Rock n’ Ragga aparecem maravilhas como os álbuns de Israel Vibration (Strenght of my live), Ini Kamoze (Shoking Out), Yellowman (Rides Again) e ainda o live de Burning Spear no Zénith. Passam também nas platinas os primeiros sons vindos de Paris ou de Marselha, Pablo Master, Princesse Erika, Massilia Sound System, Supa Ihon, Daddy Yod…

1988 - A FM GRAFFITTI “esta nas suas últimas”, foi adquirida por uma rede nacional que muda a grelha de programas, deixando para trás as emissões existentes. Os nossos Raggamuffins encontram-se no desemprego e será necessário esperar até 1991 e a emissão “Ragga n Co” para rever os dois Raggamuffins na onda FM.

Ao mesmo tempo, Manu que tocava guitarra, inicia-se ao sknak, conhece o artista martinicano, Bongo Fire, e ganha um lugar junto dos “Radical Roots” como guitarrista. É nesta época e na companhia do seu partner Chico, que também se inicia na organização de concertos e nas alegrias do mundo associativo (apresentação, animação, difusão, promoção), principalmente à volta de manifestações, como o Memorial Marley, na sala do Grand Parc Bordeaux em 1990 ou ainda, o defunto e muito percursor Reggae Festival d’Arcachon.

1991 - Volta à FM de Bordeaux com a emissão “Ragga n Co” na Frequence 4… É a época da explosão do Raggamuffin em França; Tonton David faz sucesso com “Peuples du Monde”, Nuttea chega com “Un DJ parmi des millions de DJ’s” e os SaïSaï gravam com Mafia and Fluxy… Já não fazendo parte os nossos três “mafiosos” activam o novo projecto “Double Embrouille”: uma formula muito simples, já aprovada várias vezes: um seleccionador (Chico), dois DJ’S (Manu e Nico) começando com vinis e CD’s, até há chegada de Bouyaux em 1997, com um potente sistema numérico de 16 pistas digitais. O grupo andou em tourné de 1993 a 2003, dando mais de 300 concertos em França (na qual uma tourné em 96, fazendo a primeira parte do grupo jamaicano «Third World») gravou várias street tapem, dois álbuns, e 6 faixas “Bouillant, Sincére et pas Corrompu”, com a editora basca Agorila (a pessima capa impediu qualquer utilização promocional) e o álbum “Foi 2Ragga” distribuído pela Tripsichord.

Com a separação do grupo “Double Embrouille” em Maio de 2003, Manu torna-se Manuel da Zira, iniciando uma carreira a solo...

Continua…